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Lingotes em vez de dólares: reservas de ouro da Rússia atingem nível recorde

As reservas de ouro da Rússia atingiram quase 2.000 toneladas. Durante os primeiros seis meses de 2018, o Banco Central russo comprou cerca de 106 toneladas do metal precioso, aumentando a quota de ouro nas reservas internacionais até 18%.

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Paralelamente, o Banco Central vendeu quase todos seus títulos do Tesouro dos EUA. Os analistas explicam por que a Rússia optou por essa estratégia.

Hoje em dia, o volume das reservas internacionais da Rússia é de 460 bilhões de dólares (R$ 1,73 trilhões), enquanto o nível-alvo do Banco Central russo é de 500 bilhões de dólares (R$ 1,9 trilhões). A estrutura das reservas também mudou significativamente na última década: a quota de ouro aumentou 10 vezes, enquanto a dos títulos do Tesouro dos EUA caiu ao seu mínimo.

Depois de os EUA começarem a introduzir sanções e ameaçarem com adotar restrições contra a dívida soberana russa, o Banco Central russo lançou uma campanha de desdolarização. Nos primeiros seis meses de 2018 ele reduziu o volume de títulos da dívida pública dos EUA nas suas reservas até 15 bilhões de dólares (R$ 56,2 bilhões).

Escolher outros ativos em vez dos norte-americanos, em particular o ouro, é uma estratégia razoável. O mundo está à beira de uma nova época de instabilidade e da possibilidade de uma nova crise mundial devido à geopolítica de alguns países, bem como às guerras comerciais. Os metais preciosos são um ativo seguro para diversificação de riscos.

Os títulos do Tesouro dos EUA e o dólar são considerados os ativos mais líquidos (podem ser vendidos rapidamente e sem perda de valor) e seguros, mas sua emissão descontrolada pode se tornar um fator detonador da nova crise financeira global.

O mundo acumulou demasiadas dívidas não respaldadas. Hoje em dia o volume da dívida global é de 247 trilhões de dólares (R$ 925 trilhões) ou 318% do PIB mundial. Nessas condições as reservas de ouro são ativos muito seguros que não podem desvalorizar-se bruscamente, ao contrário dos títulos do Tesouro dos EUA.

Em caso de colapso do sistema financeiro baseado no dólar, o ouro não desvalorizaria. Ele continuará funcionando como meio de pagamento no comércio internacional, esse ativo reduz a dependência de qualquer divisa.

"Acredito que a reinicialização global acontecerá quando os governos de todo o mundo precisarem de se livrar das dívidas e vincularem tudo ao preço do ouro. É por isso que países como a Rússia ou a China estão acumulando ouro – eles sabem o que poderá acontecer em vários anos", disse Keith Neumeyer da empresa First Mining Gold.

Em fevereiro de 2018 a Rússia ultrapassou pela primeira vez a China na lista dos países com maiores reservas de ouro. Para Timur Nigmatulin, da empresa Otkrytie Brocker, em três anos a Rússia poderia ocupar o terceiro lugar na lista dos Estados com maiores reservas de ouro. Segundo ele, o país poderia em dez a quinze anos superar o recorde da União Soviético, acumulando 2.800 toneladas.

Entretanto, agora não é possível abandonar o dólar completamente. O dólar é responsável por 70% de todos os pagamentos no mundo.

"A Rússia vende petróleo denominado em dólares. Por isso, para apoiar as operações de importação e exportação, uma parte considerável das reservas deve ser denominada na divisa norte-americana", explicou Nigmatulin.

A emissão ininterrupta de dólares está ameaçando a economia global e levará ao aumento dos preços do ouro. Segundo os analistas, a produção de ouro começará a cair nos próximos anos, atingindo o nível do início do século XXI em 2022. Alguns cientistas avisam que as reservas de ouro na Terra estarão esgotadas até 2034. Todos esses fatores contribuirão para o aumento drástico dos preços do ouro.

FONTE: SPUTNIK BRASIL
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